A resposta curta é: depende da época do ano. No verão, com calor e chuva, a grama pode pedir corte a cada semana ou dez dias. No inverno, o mesmo gramado passa um mês inteiro sem precisar.
Quem corta por calendário, sempre no primeiro sábado do mês, acaba cortando tarde demais no verão e sem necessidade no inverno. Existe um jeito melhor de decidir, que é olhar para a altura da grama. Este texto explica como, e mostra os erros de corte que mais prejudicam o gramado.
A regra do um terço
É a orientação mais útil que existe sobre corte de grama, e cabe numa frase: nunca tire mais do que um terço da altura de uma vez.
A folha é onde a grama produz o alimento que sustenta a raiz. Quando o corte leva metade ou mais da planta, ela perde de repente boa parte dessa capacidade, gasta as reservas para se refazer e a raiz encolhe. O resultado aparece em poucos dias: o gramado amarela, fica ralo e o mato aproveita o espaço.
Na prática, se você mantém a grama com 3 centímetros, o momento de cortar é quando ela chega a uns 4,5. Se passar muito disso, o melhor é baixar aos poucos, em dois cortes com alguns dias de intervalo, em vez de voltar à altura certa de uma vez só.
A altura depende da espécie
Cada grama tem uma faixa em que fica mais bonita e mais saudável. Como referência:
- Esmeralda: de 2 a 3 centímetros. Aceita corte mais baixo e forma o tapete fechado que a tornou tão popular.
- São-carlos: de 3 a 5 centímetros. A folha é larga, e cortada rente ela fica com aspecto machucado.
- Batatais: de 3 a 5 centímetros. É rústica e aguenta bem o pisoteio.
- Santo-agostinho: de 4 a 6 centímetros. Muito usada em regiões de praia, prefere ficar mais alta.
Não sabe qual é a sua? A esmeralda tem folha fina e pontuda, e ao pisar parece um carpete firme. A são-carlos e a santo-agostinho têm folha larga e mais macia.
Em períodos de muito calor e pouca chuva, vale deixar qualquer uma delas um pouco mais alta do que o normal. A folha maior faz sombra no solo e segura a umidade.
O ritmo ao longo do ano
Com a regra do um terço na cabeça, a frequência se ajusta sozinha. Só para dar uma ideia do que esperar num clima quente e úmido, como o do litoral do Rio de Janeiro:
Na primavera e no verão, a grama cresce rápido. O intervalo fica entre sete e quinze dias, conforme a chuva e a adubação.
No outono, o crescimento desacelera e o intervalo passa para duas ou três semanas.
No inverno, a maioria dos gramados pede um corte por mês, às vezes menos.
Depois de uma semana de chuva seguida de sol forte, espere um salto no crescimento. É o momento em que muita gente perde o ponto e depois precisa cortar demais.
Os erros mais comuns
Cortar rente para "durar mais". É o engano mais frequente. O corte muito baixo, que deixa a terra aparecendo, não espaça os cortes: enfraquece a grama, e quem cresce mais rápido no lugar é o mato.
Cortar com a lâmina cega. Lâmina sem fio rasga a folha em vez de cortar. As pontas ficam esbranquiçadas e depois marrons, e o gramado inteiro ganha um tom desbotado. Se o seu fica assim um ou dois dias depois do corte, a lâmina é a primeira suspeita.
Cortar a grama molhada. A grama úmida deita, e o corte sai irregular. As aparas grudam, entopem a máquina e formam montinhos que abafam o que está embaixo. Espere secar, mesmo que isso signifique adiar para o fim da manhã.
Cortar no sol do meio-dia, em pleno verão. A planta recém-cortada perde mais água. No calor forte, o fim da tarde é mais gentil com o gramado.
Fazer sempre o mesmo caminho. Passar a máquina sempre no mesmo sentido deita a grama para um lado e marca trilhas no terreno. Alternar a direção de um corte para o outro resolve.
A máquina certa para o tamanho do gramado
Boa parte da dificuldade de manter o corte em dia vem de usar o equipamento errado para a área.
Para um quintal pequeno e plano, o cortador elétrico de carrinho dá conta. É leve, faz pouco barulho e pede pouca manutenção. O limite é o fio, ou a bateria, e a largura do corte.
Em gramados maiores, o cortador a gasolina rende mais e não depende de tomada. Pesa mais e precisa de revisão de tempos em tempos.
A roçadeira, aquela que se leva no ombro, é a ferramenta dos acabamentos e dos terrenos irregulares, com mato alto, barranco ou muita pedra, onde o carrinho não anda. Num gramado plano ela também corta, mas é difícil manter a altura uniforme.
Qualquer que seja a máquina, a regulagem de altura merece atenção. Muitos cortadores saem de fábrica na posição mais baixa, e é assim que começa o corte rente demais. E use sempre calçado fechado e óculos de proteção: a lâmina arremessa pedrinhas com força.
Depois do corte
Se não choveu, uma rega no fim do dia ajuda a grama a se recuperar. E, na estação de crescimento, é depois de um corte que a adubação rende mais, sempre na quantidade indicada na embalagem e seguida de rega.
Recolher ou deixar a apara?
Se o corte está em dia e as aparas são curtas, pode deixar. Elas se desmancham em poucos dias e devolvem nutrientes ao solo. É como um adubo leve, de graça.
Se a grama estava alta e sobrou uma camada grossa de palha, recolha. Amontoada, ela bloqueia a luz, segura umidade demais e favorece fungos.
E a borda?
O acabamento rente a muros, calçadas, canteiros e troncos é o que dá a aparência de gramado bem cuidado. A máquina não chega nesses pontos; quem faz é a roçadeira com fio de náilon ou a tesoura. Perto de troncos e de mudas, vá com cuidado: o fio de náilon machuca a casca, e uma árvore jovem ferida em toda a volta pode não se recuperar.
Quando não dá tempo
Manter esse ritmo no verão toma boa parte do fim de semana, e é justamente quando o gramado menos perdoa um atraso. Quem prefere deixar com alguém pode combinar uma manutenção periódica, com o intervalo ajustado à estação.
O Diego Jardinagem faz corte de grama com acabamento, roçada de terrenos e manutenção de jardins em Maricá, no Rio de Janeiro. Para combinar uma visita, o contato está na página do Diego. No blog há também textos sobre como plantar grama esmeralda e os tipos de grama para jardim.