Tipos de grama para jardim: qual escolher para o seu

Tipos de grama para jardim: qual escolher para o seu

Quando o gramado não vai bem, a primeira suspeita costuma ser a rega ou o adubo. Muitas vezes o problema é anterior: a grama plantada não combina com o lugar. Uma espécie de sol pleno colocada à sombra do muro vai ralear por mais que se cuide dela.

Escolher bem poupa anos de trabalho. E a escolha fica simples quando se começa por três perguntas sobre o terreno, antes de olhar o catálogo.

As três perguntas

Quanto sol o lugar recebe? Observe num dia comum. Sol direto por seis horas ou mais é sol pleno. Menos do que isso, ou luz filtrada por árvores, é meia-sombra. Quase nenhuma grama aguenta sombra fechada o dia todo.

Quem vai usar? Um jardim de frente, que só se olha, pede pouco. Um quintal com crianças, cachorro e churrasco no fim de semana precisa de uma grama que aguente pisoteio e se recupere.

Como é o solo? Areia, como perto da praia, segura pouca água. Barro compacto encharca. Dá para corrigir os dois, mas algumas espécies toleram melhor cada situação.

Com essas respostas em mãos, vamos às opções mais comuns nos jardins brasileiros.

Esmeralda

É a mais plantada em quintais, e a referência de gramado bonito para muita gente. Folha fina, verde intenso, tapete denso e macio.

Gosta de sol pleno e aguenta pisoteio moderado. Cresce devagar, o que reduz os cortes. Em troca, demora um pouco mais para fechar uma falha.

Não é uma boa escolha para áreas sombreadas. Debaixo de árvores, perde densidade e abre caminho para o mato.

São-carlos

De folha larga, lisa e de um verde brilhante. É a grama das áreas de meia-sombra e dos climas mais úmidos, e por isso aparece muito em jardins arborizados.

Aguenta bem o pisoteio e fecha rápido. Pede mais água do que a esmeralda e cresce mais depressa, então exige cortes mais frequentes no verão. No sol muito forte, com pouca rega, sofre.

Batatais

Também chamada de grama-forquilha. É a mais rústica das quatro: tolera solo pobre, seca e muito pisoteio. É a grama dos campos, dos acostamentos e dos terrenos grandes.

A aparência é menos uniforme, com folhas mais duras e um verde mais claro, e por isso é menos usada em jardins de frente. Para um sítio, uma área extensa ou um campinho, é difícil de bater no custo e na resistência.

Santo-agostinho

Vale conhecer se você mora perto do mar. Ela tolera a maresia e o solo arenoso melhor do que as outras, e vai bem tanto no sol quanto na meia-sombra. A folha é larga e o gramado fica com um aspecto cheio, de um verde escuro.

Não gosta de pisoteio intenso e prefere ser mantida um pouco mais alta. É uma opção muito usada em casas de praia e em jardins do litoral.

Bermuda

É a grama dos campos de futebol e de golfe. Tem folha fina, fecha muito rápido e se recupera depressa de qualquer estrago, o que explica a fama nos gramados esportivos.

Essa força tem um preço. A bermuda quer sol pleno o dia todo, adubação regular e cortes frequentes, e invade canteiros com facilidade. Para um campinho de uso intenso, é excelente. Para o jardim de casa, costuma dar mais trabalho do que a maioria das pessoas espera.

"Existe grama que não cresce?"

É uma das perguntas que mais aparecem, e dá para entender: ninguém quer passar o sábado cortando grama.

Grama que não cresce não existe, mas existem plantas rasteiras que cobrem o chão e dispensam a máquina. As duas mais conhecidas são a grama-preta e a grama-amendoim. Apesar do nome, nenhuma delas é grama.

A grama-preta tem folhas finas e escuras, forma touceiras baixas e vai muito bem na sombra, onde o gramado comum falha. A grama-amendoim é uma forração de folhas pequenas com flores amarelas, gosta de sol e cobre bem barrancos e taludes, onde cortar seria difícil.

O ponto de atenção é o mesmo para as duas: não foram feitas para serem pisadas. Servem para canteiros, bordas, debaixo de árvores e áreas em que ninguém caminha. Para o lugar onde as crianças jogam bola, o caminho continua sendo uma grama de verdade.

Dá para misturar

Um terreno raramente é igual por inteiro, e não há por que tratar tudo da mesma forma. É comum, e fica bonito, usar esmeralda na parte ensolarada do quintal, são-carlos ou santo-agostinho no trecho de meia-sombra e grama-preta junto ao muro, onde o sol quase não chega.

O cuidado é delimitar bem cada área, com uma guia, um canteiro ou uma faixa de pedras. Sem uma barreira, a espécie mais vigorosa avança sobre a vizinha.

Em que formato comprar

A mesma grama pode chegar de jeitos diferentes, e isso muda o custo e o tempo até o gramado ficar pronto.

O tapete, ou placa, é o mais comum para quintais. Cobre o chão no mesmo dia e fecha as emendas em poucas semanas. O rolo é um tapete comprido, usado em áreas grandes, que rende mais na colocação. As mudas, plantadas espaçadas, saem mais em conta e demoram meses para fechar; nesse meio-tempo a terra exposta pede mais combate ao mato.

Ao receber, olhe a qualidade: tapetes inteiros, com terra presa à raiz, verdes e sem mato no meio. Grama amarelada ou com cheiro de fermentado ficou tempo demais empilhada.

Um resumo para decidir

  • Sol o dia todo, uso de família: esmeralda.
  • Meia-sombra, clima úmido: são-carlos.
  • Área grande, pouco cuidado, muito pisoteio: batatais.
  • Perto do mar, solo arenoso: santo-agostinho.
  • Sombra, sem pisoteio: grama-preta.
  • Barranco ensolarado: grama-amendoim.

Antes de fechar a compra, vale olhar os jardins da vizinhança. A grama que está bonita na casa ao lado, no mesmo clima e no mesmo tipo de solo, é uma boa pista do que funciona na sua.

Na dúvida, peça uma visita

A escolha da grama muda com detalhes que só aparecem no local: para onde a água corre, que árvore faz sombra à tarde, como está a terra debaixo do mato. Uma avaliação antes do plantio evita refazer o serviço depois.

O Diego Jardinagem trabalha com plantio, paisagismo e projeto e reforma de jardins em Maricá, no Rio de Janeiro. Para conversar sobre o seu terreno, o contato está na página do Diego. No blog há também textos sobre como plantar grama esmeralda e de quanto em quanto tempo cortar a grama.

Cristian F. Ritter

Cristian F. Ritter

Cristian Ritter é engenheiro e fundador da Conecta Pages, uma empresa especializada em soluções de marketing digital e criação de páginas de captura. Com uma carreira de mais de 15 anos no setor de tecnologia, o autor tem ajudado inúmeras empresas a estabelecerem e expandirem sua presença online.